Processo · Versão 2
Como funciona a imersão
Como uma visita ao Vale nasce, é desenhada e acontece. Esta versão incorpora o que aprendemos nas três primeiras imersões (Auditoria, Tesouraria, AI DLC) e ajusta o processo onde a prática mostrou que precisava mudar.
Por que existe
A relação do Hub com o ecossistema do Vale é finita. Cada empresa, professor ou fundo que recebe um diretor do Itaú decide se vale a pena receber o próximo. Imersões mal preparadas queimam essa relação rapidamente.
A entrevista pré-visita é o gate que separa visita boa de turismo corporativo. Sem ela:
- Agendas viram “vamos mostrar o ecossistema” sem foco
- Visitante chega sem saber o que quer · sai sem clareza do que viu
- Parceiros externos recebem o terceiro grupo do mês sem ganho proporcional
- Áreas de negócio não fazem follow-up porque não tinham pergunta clara antes
As imersões de Auditoria, Tesouraria e AI DLC entregaram valor real — as empresas certas, o conteúdo certo, grupos engajados. Mas a operação mostrou onde o processo precisava de mais disciplina: grupos grandes demais numa sala só, agenda fechada em cima da hora, falta de um ponto focal por grupo, e o time do Hub assumindo a montagem que deveria partir do visitante. O princípio que organiza tudo: o Hub é um conector, não o dono da viagem. A viagem é da área.
Princípios que orientam
Quatro princípios que orientam toda decisão de agenda. Quando dúvida operacional aparecer, voltar aqui.
- Priorizar agendas que geram negócioMais tangíveis, mais fáceis de pedir, mais fáceis de medir resultado depois. Inspiração estratégica é importante mas não é o piso.
- Proteger o ecossistemaNão repetir mesmas visitas externas sem razão de negócio nova. Se a Vercel já recebeu 3 grupos do Itaú em 6 meses, o quarto pedido precisa de justificativa real.
- Meio dia no Hub não é negociávelToda visita passa pelo Hub. Apresentação do que fazemos, demos, conversa com o time. Depois, agenda personalizada. Sem essa âncora, a visita não é do Hub.
- A BU paga pela imersãoO custo da imersão vai para a área de negócio que está visitando. Faz o visitante pensar antes de pedir e gera skin in the game.
As três portas de entrada
Uma visita pode nascer de três jeitos. O processo é o mesmo depois que ela entra, mas é útil saber por onde começou.
| Porta | Como nasce | Exemplo |
|---|---|---|
| A área pede | Uma área de negócio procura o Hub porque quer vir ao Vale | “Quero trazer meu time pra entender o que está acontecendo de IA em auditoria” |
| O Hub aproveita um gancho | Alguém do Hub vê que a pessoa já vem por outro motivo e oferece montar uma agenda em volta | “Vai ter um evento de design, e já que você vem, a gente monta uma agenda no Vale” |
| O Hub puxa | O Hub identifica uma área que precisa ver o que está acontecendo e provoca a vinda | “Tem muita coisa mudando que vocês de risco não estão vendo. Se não vierem agora, vão correr atrás depois” |
Classificação da visita
São três tipos de visita, e o que o Hub faz muda em cada caso. A entrevista é o que define em qual tipo cada visita se encaixa.
| Tipo | O que é | O que o Hub faz | O que o Hub não faz |
|---|---|---|---|
| A · Problema específico | Visitante tem um problema definido. Ex.: “quero entender como resolver fraude com AI” | Conecta com ecossistema relevante, monta agenda focada, aloca tempo do time técnico | Não pesquisa o mercado inteiro pelo visitante |
| B · Exploração estratégica | Quer entender o ecossistema para informar estratégia. Ex.: “ver o que bancos americanos fazem de AI” | Meio dia no Hub + 2 ou 3 encontros relevantes | Não monta uma semana inteira de agendas · visitante precisa trazer homework |
| C · Turismo ou inspiração | Quer respirar o ar da Califórnia, se inspirar, ver de perto | Um dia no Hub + sugere eventos públicos, restaurantes, dicas | Não dedica tempo do time para agendas personalizadas |
Visitas Tipo C têm valor (inspiração, exposição, sinalização interna). O erro é vendê-las como Tipo A · prometer entregar resultado que não cabe no formato. Classificar corretamente protege expectativa.
O cardápio
Depois da entrevista, o Hub devolve ao visitante um cardápio de opções — não uma agenda pronta. O visitante escolhe como quer fazer.
| Opção | O que o Hub entrega | O que fica com o visitante |
|---|---|---|
| 1 · Você se vira | O Hub dá a lista de empresas e os contatos que tem. Ajuda a pensar e sugere o que vale a pena ver. | O visitante monta a própria agenda e faz os próprios contatos. |
| 2 · A Tupii monta | A Tupii monta a agenda completa: empresas, transporte, refeições. O Hub conecta com as áreas e faz o check com Compras no fim. | O visitante escolhe o nível e valida a agenda. |
| 3 · Add-on | Além da agenda da opção 2, um extra: um jantar, um evento, um formato especial. Custa mais. | O visitante decide se quer e arca com o custo adicional. |
Meio dia no Hub + um dia em Stanford são obrigatórios em qualquer opção. É a âncora que faz a visita ser do Hub. E eventos da semana (Stanford, Bay Area) podem ser oferecidos como add-on em cima de qualquer tipo de visita.
Regras invioláveis
Regras que valem independente do tipo de visita. Exceções precisam de aprovação.
- Meio dia no Hub + um dia em Stanford. É o piso de qualquer visita. Sem isso, a visita não é do Hub.
- Máximo 5 pessoas por sessão. O grupo pode ser maior, mas na sala entram 5. Sessões com 12 pessoas não funcionam — ninguém discute, ninguém se posiciona.
- Um ponto focal por grupo, do início ao fim. Grupo sem dono vira “cachorro de dois donos” — ninguém responde, ninguém decide.
- 3 a 4 dias de visita. Três dias com 2 a 3 visitas por dia é o ideal. Quatro é o teto. Um quinto dia, se houver, é debrief e fechamento.
- Antecedência de 2 meses. O ideal são 4 a 8 semanas pra montar uma agenda boa e não queimar os parceiros. Exceção só para Tipo A urgente.
- Hospedagem em São Francisco. 95% da agenda está em SF. Hotel em SF reduz deslocamento e simplifica a logística.
- O contato com as empresas é sempre do Hub. Nenhuma área liga direto para Anthropic, OpenAI, Databricks e afins — senão o banco perde poder de negociação.
- A BU paga pela imersão. O custo vai para a área que está visitando. Gera comprometimento.
- Almoço no orçamento da viagem. Não ratear em vários cartões no dia (o limite de 4 cartões nos EUA trava a operação).
Fluxo de ponta a ponta
Da hora que a visita entra até a hora que o grupo volta pro Brasil. Cada passo tem um responsável.
- Visita entra por uma das três portas — datas e nº de pessoas definidos
- Mensagem template enviada, com data limite de resposta
- Entrevista conduzida (call de 20 min, áudios ou texto)
- Síntese preenchida em até 24 h — sem síntese, não se monta agenda
- Cardápio devolvido com as três opções e a lista de empresas
- Kick-off de 15 min com cada pessoa do grupo
- Checkpoint com Compras sobre a lista de empresas
- Agenda desenhada pela Tupii (opção 2 ou 3) em até 48 h
- Ritual de alinhamento antes ou no dia da chegada
- Visita acontece: meio dia no Hub + um dia em Stanford + agenda customizada
- Fechamento e histórico: gravação, resumo e registro